Blogagem Coletiva - Quem foi seu Monteiro Lobato?
Amanhecia mais uma vez,
No sítio da Inês,
Lar de Juarez, o cabrito montês,
Aventureiro destemido,
Amigo e companheiro sagaz,
Senhor do seu próprio nariz.
Esperava visitas,
Há muito ansiada,
Como a chuva mansa,
Que refresca a terra em dia de sol forte,
Eram amigos de longa data,
Aventureiros como ele.
Perto do meio-dia chegaram,
Em um pé de vento,
Vieram todos, Pedrinho, Narizinho,
A esperta Emília, o sábio Visconde e o atrapalhado Marquês,
Vieram até a Dona Benta e Tia Nastácia com seus quitutes,
Só faltou mesmo o seu grande amigo.
Mas este, sabia Juarez, apesar de ausente,
Em espírito, com sua alegria, se faria presente,
Inspirando a todos com suas idéias e brincadeiras,
Ao mundo encantado da fantasia os levaria,
O caminho apontado pelas letras,
que em seus livros havia.

Hoje, vários blogs participam de uma blogagem coletiva em homenagem ao “Dia Nacional do Livro Infantil”, promovida pelo blog Fio de Ariadne, e patrocinado pela Jorge Zahar Editor, respondendo a uma questão instigante: Quem foi seu Monteiro Lobato? Posso dizer, sem sombra de dúvidas, que o meu foi o próprio. Foi lendo as “Reinações de Narizinho” e outros livros de Monteiro Lobato que peguei gosto pela leitura. Já lia fábulas, de todos os tipos, mas Narizinho, Pedrinho, Emília e companhia foram os personagens que realmente me cativaram.
A leitura me supriu o tempo ocioso. A programação da televisão, quando pequeno, ficava muito a desejar e, obviamente, a internet não existia. Jogava bola e bolinha de gude, empinava pipa e explorava os rincões das super-quadras, em Brasília, terra onde nasci, como todo guri. Mas foi nas páginas dos livros que viajava para lugares reais e imaginários. Conhecia, assim, um pouco do Brasil e do mundo.
Meus pais, é claro, me incentivaram. Nunca faltavam livros em casa. A partir de Monteiro Lobato me aventurei pela Ilha do Tesouro, cacei Moby Dick, lutei com os mosqueteiros do rei e com os últimos dos moicanos, descobri o centro da terra, viajei para a lua. Personagens me assombraram, como o Conde de Monte Cristo e o capitão Ahab. Me diverti com Tom Swayer. Mas sempre voltava às páginas mágicas do Sítio do Picapau Amarelo.
Tento o mesmo com minha filha, estimulando-a a ler e descobrir o mundo através das páginas dos livros. Mas, apesar de todo o meu esforço, esbarro, como muitos, nos preços abusivos que são cobrados pelos livros. Bons livros custam caro e fico pasmado em ver livros de má-qualidade, editados e serem considerados best-sellers. Assim como seus autores, péssimos, alçados a categoria de gênios. Vejo muita coisa boa sendo publicada livremente na internet, mas sem conseguirem uma edição impressa.
Foi assim que surgiu o Juarez, o simpático Cabrito Montês. Uma forma de protesto contra o sistema que premia leituras, de gosto duvidoso. Uma forma de relembrar as delícias do mundo mágico de Monteiro Lobato e de seu Sítio do Picapau Amarelo. E, por que não, um exercício de cidadania.
Acredito que o público brasileiro precisa redescobrir a boa leitura. E somente iniciativas bem estruturadas podem desbancar o mau-uso da internet, uma bela ferramenta de incentivo à cultura, mas que é, infelizmente, apenas utilizada para troca de bobagens, tirando a oportunidade de muitos de se tornarem verdadeiros cidadãos.





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