Juarez e Irene, a esperança
Ao raiar do dia,
No sítio da Inês,
Era sempre uma alegria,
Cheia de afazeres a cumprir.
O cabrito montês,
De dentro de sua baia,
Espreguiçava-se,
Ainda dolorido da batalha.
Ruminando seus pensamentos,
Procurou logo se alimentar,
Precisava forte ficar,
Nunca sabia das surpresas a encontrar.
Era um dia de vento,
Daqueles bem fortes,
Dia de saci,
O grande arteiro da floresta.
Mas não foi isso,
Que causou espanto,
Foi uma confusa esperança,
Que caiu esborrachada na sua frente.
Levantou-se ela ainda tonta,
Olhou bem na cara do cabrito,
Pôs-se a rir,
E perguntou onde estava.
Ao descobrir o local,
Aonde a levara o vendaval,
Ficou mais do que satisfeita,
Estava onde queria.
Viajava por todo canto,
Com seu verde manto,
Sua tagarelice alegre,
Levando esperança a quem devia.
“Chegou tarde”, disse o cabrito,
Ontem mesmo é que precisávamos,
De esperança e valentia,
Para a batalha que havia.
“Ora menino”, respondeu Irene,
Pois era assim que se chamava,
A verde esperança,
“Estou sempre presente”.
“Nos momentos de tristeza, trago alegria”,
“Na dor, trago alívio”,
“A saudade comigo não se cria”,
“E a verdade sempre aparece”.
Pensando no que foi dito,
Lá se foi o cabrito,
Contar as boas novas,
Da inesperada visita.
E foi com grande festa,
Aplausos e gritaria,
Que a esperança foi recebida,
No lar de Juarez, o Cabrito Montês.

(imagem da Irene de autoria de Tacio Philip)





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