13 Maio 2008

Juarez e as formigas



Queria Juarez descansar,
A viagem com tão bravos cavaleiros,
Dom Quixote e Sancho Pança,
Não era apenas alegria.

Sob a sombra de uma árvore parou,
Alimentou-se das lembranças,
Saciou-se com as verdades aprendidas,
Descansava, enfim.

Notou um movimento estranho,
Um pequeno rio vermelho e preto,
Curioso como ele só,
Foi olhar mais de perto.

Formigas é o que eram,
No seu trabalho diário,
De juntar comida,
E defender o formigueiro.

Pequenas e vermelhas,
Carregando grandes folhas,
Grandes e pretas,
Patrulhando a trilha.

Sem aviso, Dom Quixote se sentou,
Bem em cima das formigas,
Um grande grito soltou,
Mordido e aflito.

Juarez se riu,
Viu que pequenos podem ser grandes,
Não importava o tamanho,
O que contava era a coragem.

E saíram andando os três,
Juarez, o cabrito,
Sancho e sua pança,
E Dom Quixote, o cavaleiro, mordido.


Imagem enviada pela Shirlei Horta do blog Mataador. Desconheço a autoria.

30 Janeiro 2008

Juarez e Sancho Pança



Já estavam bem distantes,
Quixote, Juarez e Sancho,
Do sítio da Inês,
Origem de todas as aventuras.

Dom Quixote ia calado, imerso em pensamentos
De suas andanças e batalhas lembrava-se,
Os perigos vividos, as donzelas salvas,
Completamente mudo e ranzinza.

Sancho Pança não entendia,
A tristeza do cavaleiro,
Proseava animado,
Com seu caprino companheiro.

Contava os causos, as estranhas estórias,
O pano de fundo de suas aventuras,
Juarez estava mais do que interessado,
Riam até gargalhar.

Contou das trapalhadas às surpresas,
Do moinho-gigante à doce Dulcinea,
E o encontro com o cavaleiro,
Num distante vilarejo.

Estava comendo, fazendo jus ao nome,
Na taberna chegou empoeirado e faminto,
Um estranho cavaleiro,
Dom Quixote era seu nome.

Penalizado, Sancho ajudou o desconhecido,
Dom Quixote só ouvia,
A boca estava atarefada demais,
Com os pratos que comia.

Depois de cheio e aquecido,
Contou de seus sonhos,
A vontade de correr o mundo,
Ajudando desconhecidos.

Sancho logo se empolgou,
Uma chance de fazer o bem,
Conhecer outros lugares,
E viver grandes aventuras.

Fecharam o acordo,
Escudeiro seria,
Sancho Pança,
E dom Quixote de La Mancha.

E assim correram o mundo,
Até encontrarem o sitio,
E o amigo cabrito,
E agora iam, a rir pela estrada.



A pedido da Ly, do blog Divino Se Não Fosse Humano.

06 Novembro 2007

Dois anos

Hoje estamos em festa, viva a alegria e as fantásticas aventuras do Juarez o Cabrito Montês.

03 Novembro 2007

Juarez e a “batalha” das ovelhas



Era o amanhecer, o dia seguinte da chegada,
De Dom Quixote e seu fiel escudeiro,
Nas terras do sítio da Inês,
Lar de Juarez o Cabrito Montês.

O sol nascente os pegou na estrada,
Rumavam direto para as montanhas,
Iam alegres e bem dispostos,
Falantes como nunca.

Menos o cavaleiro,
Soturno, um pouco, acordara,
Lembrava dos tempos de riqueza,
De sua fidalguia perdida.

Juarez, percebendo, logo se acercou,
“O que há nobre cavaleiro?”, perguntou,
“Lembro-me dos tempos em que tudo era diferente”,
“Dos criados que tinha, das terras que possuía”, respondeu.

Havendo perdido tudo, riquezas, terras e criados,
Tornara-se um cavaleiro errante,
Atrás de sua redenção,
Das glórias esquecidas.

O cabrito, intrigado, não estendeu o assunto,
Foram-se pelos campos,
Agora todos calados,
Mas tudo mudaria.

Em determinada curva da estrada,
O cavaleiro exclamou,
“Um exército!”,
Juarez parou, de súbito, espantado.

“Ora, são ovelhas”, pensou,
O mais estranho é que por ali,
Ovelhas não havia,
Que mágica seria aquela?

Pensando tratar-se de inimigos,
Dom Quixote, de lança em punho,
Preparou-se para atacar,
Esporeou seu cavalo e partiu.

As ovelhas baliram, assustadas,
Os pastores e seus cães de guarda,
Ficaram de prontidão,
Para impedir tal confusão.

Juarez, por sua vez,
Temendo pelo seu novo amigo,
Disparou atrás e, numa manobra arriscada,
Desviou a atenção do cavalo.

Don Quixote caiu, sentado,
Levantou-se dolorido, furioso,
“Como ousa impedir meu ataque”, exclamou,
E bufava.

“Nobre cavaleiro, entendo sua raiva”,
“Mas em campos do sítio”,
“Não se combatem as ovelhas”,
“Por mais mágicas que sejam”, respondeu.

“Combatemos piratas e quimeras”,
“Mas animais assim não merecem nossa atenção”,
“O que dirão de Dom Quixote”,
“Se tal história correr o mundo”, perguntou.

O cavaleiro caiu, então, em si,
Percebeu a bobagem que estava fazendo,
E, rindo, montou novamente,
E voltou para o caminho que trilhavam.

“Pobre cavaleiro”, pensou Juarez,
“Que riquezas terá perdido para custar sua sanidade?”,
Retornou também à trilha,
Agora um pouco triste pelo amigo.

As ovelhas? Bom, as ovelhas eram mesmo mágicas,
Como tudo no sítio, aliás,
O lar fantástico de Juarez,
O Cabrito Montês.

22 Agosto 2007

Juarez e Dom Quixote



Como sempre raiou o sol,
Iluminando aos poucos,
O sítio da Inês,
Lar de Juarez, o Cabrito Montês.

Seria mais um dia,
De alguma folia,
Por ser dia do folclore,
Estavam todos em agitação.

No terreiro o saci-pererê,
Nos seus remoinhos,
Bagunçava tudo e, com ele,
Outros personagens fantásticos.

Enquanto observava a branda confusão,
Ouviu-se uma trombeta ao longe,
Trombeta de cavaleiro, pensou Juarez,
Uma visita da princesa Penélope, talvez.

Não, não era uma visita da princesa,
Um personagem estranho e engraçado apareceu,
Montando um pequeno burrico,
Sancho pança, com sua barriga.

Atrás dele, altivo e imponente,
Cavalgando seu Rocinante,
Vinha o cavaleiro,
Dom Quixote de la Mancha, era seu nome.

Juarez ficou impressionado,
Como todos aliás,
Com tão estranha figura,
De capacete, armadura e lança.

Seu escudeiro, pois era a função de Sancho,
Saltou alegre e festivo,
No meio dos fantásticos personagens,
Perguntou pelo senhor daquelas paragens.

“Não temos senhor”, respondeu Juarez,
“Apenas uma doce e amistosa senhora”, completou,
Dom Quixote, o cavaleiro, levantou as sobrancelhas,
Inquieto.

O cavaleiro pasmou-se diante de tal fenômeno,
Um cabrito falante jamais encontrara,
Ainda mais tão articulado,
Que lugar mágico seria aquele?

“Soube que uma fera habita esse lugar”, trovejou,
“A única que passou por aqui foi a Quimera”,
“Mas ela já foi derrotada”,
“E os piratas malvados também”, disse o cabrito.

Aparentando cansaço e desânimo, disse,
“Vim de muito longe, em busca de aventuras”,
“Não posso voltar de mãos abanando”,
“Tenho uma missão a cumprir”.

“Ora, bravo cavaleiro, não se faça de rogado”, ponderou Juarez
“Em nossas paragens há muitas aventuras e desafios”,
“Cavalgue por aí e verá que tenho razão”,
Assim dito, calou-se o cabrito.

Sancho, um moderado escudeiro,
Percebeu o erro da informação,
O tal estalajadeiro na estrada,
Havia pregado uma peça.

Riu-se sozinho, no começo,
Logo seguido por seu senhor,
Em estrondosa gargalhada caíram,
Até as lágrimas correrem.

“Muito bem”, definiu-se Dom Quixote,
“Posso ser audaz mas não sou louco”,
“Vou procurar então as aventuras”,
“Que por aqui devem existir”.

“Ajudo-o prezado cavaleiro”, decidiu-se Juarez
“Posso acompanhá-lo e guiá-lo”,
“Sou ágil e destemido”,
“Serei um valoroso escudeiro”.

E lá se foram eles,
Atrás de seus moinhos,
Liderados por Juarez, o Cabrito Montês,
Cavaleiro do castelo da princesa.


Imagem: Pintura representando Dom Quixote e Sancho Pança, por Honoré Daumier.

31 Julho 2007

Juarez e Irene, a esperança



Ao raiar do dia,
No sítio da Inês,
Era sempre uma alegria,
Cheia de afazeres a cumprir.

O cabrito montês,
De dentro de sua baia,
Espreguiçava-se,
Ainda dolorido da batalha.

Ruminando seus pensamentos,
Procurou logo se alimentar,
Precisava forte ficar,
Nunca sabia das surpresas a encontrar.

Era um dia de vento,
Daqueles bem fortes,
Dia de saci,
O grande arteiro da floresta.

Mas não foi isso,
Que causou espanto,
Foi uma confusa esperança,
Que caiu esborrachada na sua frente.

Levantou-se ela ainda tonta,
Olhou bem na cara do cabrito,
Pôs-se a rir,
E perguntou onde estava.

Ao descobrir o local,
Aonde a levara o vendaval,
Ficou mais do que satisfeita,
Estava onde queria.

Viajava por todo canto,
Com seu verde manto,
Sua tagarelice alegre,
Levando esperança a quem devia.

“Chegou tarde”, disse o cabrito,
Ontem mesmo é que precisávamos,
De esperança e valentia,
Para a batalha que havia.

“Ora menino”, respondeu Irene,
Pois era assim que se chamava,
A verde esperança,
“Estou sempre presente”.

“Nos momentos de tristeza, trago alegria”,
“Na dor, trago alívio”,
“A saudade comigo não se cria”,
“E a verdade sempre aparece”.

Pensando no que foi dito,
Lá se foi o cabrito,
Contar as boas novas,
Da inesperada visita.

E foi com grande festa,
Aplausos e gritaria,
Que a esperança foi recebida,
No lar de Juarez, o Cabrito Montês.




(imagem da Irene de autoria de Tacio Philip)

24 Junho 2007

Juarez e a derrota dos piratas



Estava Juarez apreensivo,
Aguardando seus amigos e aliados,
Pensava bastante, o cabrito,
Impedir um pirata era a questão.

Navios a perder de vista,
Uma cena de apavorar,
Mas contava com destemidos amigos,
Estava quase pronto.

Vieram os seres fantásticos,
Caipora e seus animais,
O saci e suas peraltices,
A mula-sem-cabeça com sua maldição.

Vieram animais os mais diversos,
Leões da montanha, onças negras e pintadas,
Jacarés e tartarugas gigantes,
Tucanos e abutres.

A Iara e sua coragem,
Mas aguardava ainda um importante reforço,
Os cavaleiros destemidos,
Que à princesa Penélope serviam.

Novamente rugiu uma nuvem,
No horizonte, formada,
Tremia a terra com o forte cavalgar,
12 cavalos a galopar.

Não só 12 corajosos se apresentaram,
Vieram também arqueiros, lanceiros e canhoneiros,
Toda a infantaria e cavalaria,
Que pôde a princesa enviar.

Ao longe surgiu a luz,
Do portal que se abria,
A passagem para o reino perdido,
O local a defender.

Rumaram todos para a cachoeira,
Piratas em algazarra,
Juarez e seu exército em carreira desabalada,
Era chegada a hora.

Troaram os canhões, nuvens de flechas voaram,
Gritos de batalha, comandos de ataque,
O embate foi furioso,
Durando toda uma tarde.

Os seres fantásticos fizeram seu papel,
Enlouqueceram os oponentes,
Confundiram seus inimigos,
Quebraram o comando.

Os animais acuaram, mesmo atingidos,
Aves em vôo rasante,
Bicadas, patadas e mordidas,
Valia tudo pela vitória.

E os cavaleiros, corajosos, se jogaram,
No meio da refrega, espada e escudo em punho,
Bateram os perdidos piratas,
Que debandaram apavorados.

O pirata perneta não se entregava, porém,
Coube a Juarez a difícil tarefa,
De derrotar o comandante malvado,
E assim o fez.

Às chifradas de Juarez se rendeu,
Assim o pirata pereceu,
No momento exato que se fechava,
O portal do Eldorado.

“Vitória, vitória”, triste vitória,
Muitos sucumbiram para a liberdade defender,
Um povo feliz não saberá nunca,
Do sacrifício oferecido.

Voltaram todos para seus lares,
O velho do rio tirou seu chapéu,
À coragem de Juarez, o cabrito Montês,
Que voltou são e salvo para o sítio da Inês.



(Imagens desenvolvidas especialmente para o Juarez por Paulo Zanin)

 
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